Carvalho, A. A. (2005). Como olhar criticamente o software educativo multimédia. Cadernos SACAUSEF - Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio à Utilização de Software para a Educação e a Formação: Utilização e Avaliação de Software Educativo, Número 1, Ministério da Educação, pp. 69-82.
Apresento de seguida os pontos mais relevantes do documento.
O software Educativo Multimédia (SEM) torna-se apelativo para o público-alvo por integrar diferentes media na representação da informação captando a atenção dos sentidos do utilizador (sobretudo visão e audição, por exigir interacção física e intelectual).
Os destinatários podem ser crianças a partir dos dois anos, facilmente atraídas pela componente lúdica, de navegação intuitiva, tornando determinado conteúdo mais fácil e motivador. A interactividade envolve o utilizador na exploração do conteúdo, navega ao seu ritmo e acede a parte de informação de cada vez. Ao clicar em áreas sensíveis obtém resposta imediata de SEM o que pode despertar o desejo de explorar o documento, procurar mais e talvez a saber mais.
Há autores que referem que o SEM, por si só, pode não ser garantia de motivação nem de aprendizagem, como muitas vezes é publicitado pelas editoras. Geralmente, os SEM motivam, mas é extremamente importante a forma como o conteúdo é estruturado e o controlo dado ao utilizador na exploração do documento.
Um SEM de inspiração behaviorista não permite ao utilizador passar à actividade ou ao nível seguinte sem ter realizado a etapa anterior.
Um SEM de inspiração construtivista dá ao utilizador liberdade de o percorrer livremente para que possa construir o conhecimento de acordo com os seus interesses.
Há três factores que se condicionam mutuamente para que possa ocorrer aprendizagem com o SEM: a qualidade científica, pedagógica e técnica do software, a familiaridade do utilizador com o sistema informático (lietracia informática) e com o conteúdo (conhecimentos prévios) e o desejo que o sujeito tem de aprender.
A qualidade técnica do SEM condiciona a motivação e o interesse do utilizador pelo software, nomeadamente a interface, a rapidez de resposta do sistema e a interactividade proporcionada.
O SEM ao disponibilizar ajudas à navegação e às actividades e feedback (positivo e negativo) está a promover a autonomia do utilizador e a orientar o seu desempenho. Além disso, o feedback pode contribuir para a motivação e consequentemente para a aprendizagem.
O professor não deve levar para as suas aulas SEM sem previamente o explorar, pois não poderá sugerir as actividades a percorrer para determinado conteúdo nem as actividades com mais potencialidades para o desenvolvimento da capacidade de raciocínio, de associação, de dedução, ...
Impõe-se a questão: Como analisar um SEM?
Propõe-se o seguinte guião de análise:
1- Caixa
Indicações que vão permitir identificar o software como o título, ano, editora, destinatários, área temática, objectivos, língua usada nos textos e requisitos do sistema para que se compreenda se é ou não compatível com o nosso PC.
2- Início/Apresentação
Importa ver uma vez apenas, depois deverá haver a possibilidade do utilizador saltar esta parte para o menu.
3- Menu
Identifica o número de actividades e vê-se como o menu é representado (texto, texto e som, imagem e texto, ...). O facto do menu estar sempre disponível é um dos aspectos que mais facilita a navegação e a exploração da informação.
4- Navegação
O utilizador sabe sempre onde está; o utilizador sabe como ir para determinada actividade ou local; existem setas para avançar ou recuar; ...
5- Estrutura
Podemos considerar três tipos de estruturas básicas: linear ou sequencial, hierárquica e em rede. A estrutura hierárquica poderá ser em árvore ou acíclica.
6- Avtividades
Se são adequadas à faixa etária; se é fácil compreender as actividades; se há menu específico para algumas; se existe ajudas (oral, escrita ou animada); ...
7- Interface
Interacção entre o utilizador e o software. Se é intuitiva, consistente, graficamente agradável, tamanho e tipo de letra fácil de ler, ...
8- Ajuda
Se está acessível. Pode ser ajuda à navegação ou à concretização de uma actividade, tarefa ou jogo.
9- Sugestões para pais, educadores e/ou professores
Se as apresenta e se disponibiliza actividades complementares a serem impressas (por exemplo, fichas).
10- Imprimir diploma
Se permite imprimir diploma quando a actividade ou um conjunto de exercícios é feito correctamente.
11- Hiperligações para sites na web
Alguns SEM disponibilizam hiperligações para o site da editora onde existe informação complementar para actualizar conteúdos e novas actividades.
12- Ficha técnica
Existe por vezes uma ficha técnica dos autores do software.
13- Sair do software educativo multimédia
A possibilidade de sair do SEM deve estar sempre acessível.
A concluir, é extremamente importante num SEM a qualidade científica do conteúdo, o papel da estrutura, da navegação, do menu, das actividades, da ajuda, do feedback e da interface na promoção da autonomia, na liberdade de navegação e aprendizagem e no apoio proporcionado ao desempenho do utilizador. Obviamente que um SEM antes de ser usado com os alunos deve ser explorado pelo professor e só assim poderá ser rentabilizado em contexto educativo.
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